Débito e crédito!

January 15, 2018

“Débito e Crédito. Quem são vocês?”

 

Soa como um TIC e TAC, porém faz um som assim: “Um débito e um crédito”. Fica como uma música na cabeça: “Um débito e um crédito. Um débito e um crédito. Um débito e um crédito.”. Quando enjoa fica assim: “Um débi e um crédi. Um débi e um crédi. Um débi e um crédi.”. Talvez você esteja com este martelinho na cabeça, mas nem queira usar isto para os nomes de futuros filhos, exceto se eles quiserem ser músicos sertanejos.

 

O Débito e o Crédito são uma dupla realmente confusa para os graduandos dos primeiros anos dos cursos de contabilidade. O estudante entra no curso pensando que o débito é crédito ou que o crédito é débito e que os professores falam tudo ao contrário. Afinal, não é de conhecimento público que o débito é desconto a vista do cartão e que o crédito é a dívida a pagar indesejável do próximo mês seguinte? Não sei se foram os comerciantes ou moças de caixa de supermercado que ensinaram isto. Este ensino não é de todo errado. Você talvez não saiba, mas os comerciantes ou as moças falam isso do ponto de vista da empresa e não do ponto de vista do cliente, porém o cliente acha que é do ponto de vista dele e a coisa assim ficou. Confuso! Na realidade você como cliente deveria falar: “Debite meu cartão de crédito!”. O fato é que o débito não é crédito e o crédito não é débito. Que tal TAC e TIC?

 

O débito e o credito é a representação das chamadas partidas dobradas desenvolvidas no século 15 e registrado por Luca Pacioli, o mesmo que fez uns rabiscos de linhas “T” nos seus livros. Trata-se de uma construção matemática de números complexos agrupadas por frações. Deu um TIC nervoso aí? Espere pelo TAC então. Alguns chamam de o “T” do razonete. Débito é uma construção teórica convencionada como sistema inversos aditivos de números positivos representado pelo lado esquerdo de um conjunto de números. Ufa! O crédito é simplesmente o contrário disso, é um sistema de números positivos representados pelo lado direito de um conjunto de números. A proposição teórica veio da matemática e o débito e crédito era representado pelo posicionamento pareado de x e y, considerando uma conta T.

 

Os termos são tratamentos matemáticos que serviram para esclarecer o motivo da duplicidade dos valores na contabilidade que considera aquilo que uma transação afeta. Algumas pessoas achavam que a contabilidade era burra por pensarem que ela fazia o mesmo trabalho duas vezes. A matemática foi quem defendeu a contabilidade de ser taxada de burra ao propor o sistema.

 

Então assim ficou: para cada TIC, um TAC. Uma mera convenção. Uma representação. Como uma folha que possui dos lados. Não tem como dizer que uma folha de papel possui um lado só. Da mesma forma, não tem como dizer de débito sem falar do crédito. Isto fica como uma música na cabeça dos contadores que olham os fatos todo dia e os representam como um TIC e TAC de relógio empresarial nos conhecidos livros diários.

 

Calma aí! O TIC e TAC é uma mera convenção? O débito e o credito são comumente considerados com convenções, mas não são. Pelo menos não exatamente. Tendo em vista as classificações das contas contábeis, o débito e o crédito pode ser justificado ou explicado pelas seguintes teorias: i) Teoria personalista; ii) Teoria materialista; iii) Teoria patrimonialista; iv) Teoria Patrimonialista.

 

Pela Teoria Personalista, as contas patrimoniais são representadas pelo relacionamento de pessoas com a entidade em termos de débito e crédito, ou seja, relações jurídicas tidas. Todos os débitos são representados pelas responsabilidades dessas pessoas, ao passo que todos os créditos se referem aos seus direitos no que tange ao titular do Patrimônio Contábil. Pela Teoria personalista, existem três tipos de contas (ou pessoas): os proprietários, os agentes consignatários e os agentes correspondentes. O primeiro são os responsáveis pelas contas do patrimônio líquido e suas variações. O segundo são aquelas pessoas, representados por contas, a quem a empresa confia a guarnição dos bens (Ativo Patrimonial). O último representa aquelas pessoas, terceiros, que se posicionam como devedor ou credor de uma entidade tal como Clientes e Fornecedores.

 

A Teoria Materialista visualiza o débito e o crédito por entradas e saídas de valores, ao invés de simples relações entre pessoas, exceto relações com terceiros, cujas movimentações estão ligadas a uma relação material.

 

A Teoria Patrimonialista, comumente utilizada no Brasil, foi criada por Vincenzo Mais. Segundo ela, o objeto de estudo da contabilidade é o Patrimônio Contábil de uma entidade. Nesse sentido, a contabilidade exerce o papel de controle sobre este patrimônio e apuração dos resultados dos períodos das empresas.

 

Convenciono você a pensar: o débito e o crédito não são meras convenções. Estas teorias estão aí para explicá-las. Olha como este TIC e TAC vai longe. O suficiente para tocar o despertador uma milhão de vezes? Não precisa trocar as duas pilhas. Simplesmente, funcionam assim.

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