Os contadores na rota do tubarão!


A natureza vale alguma coisa? Tente viver sem roupas, durma a céu aberto, não coma comida e não observe as belezas naturais. Consegue fazer isso? Se não consegue, então a natureza possui valor. E o valor é atribuído pelo ser humano, contudo nem tudo que a natureza fornece ganha o valor das pessoas. Mas outras coisas ganham custos.

Consultores de negócios ambientais e sustentáveis querem pôr valor à aquilo que não deram valor antes. Eles querem forçar empresários a realizarem balanços de impactos econômicos para perceber custos, ensinando eles a gerir recursos naturais. Parece válido. A contabilidade dos elementos naturais tem criado expectativas de adoção das melhores práticas, que ninguém sabe se são melhores mesmos, para o ambiente, para a rentabilidade de longo prazo e para o bolso do cliente.

A justificativa para o aumento dos valores e o aumento de custos de execução de negócios desta natureza, na natureza, é a preocupação de que as mudanças climáticas estão sendo um vilão. Dizem que elas estão esgotando os recursos naturais. Eu penso que não, pois aprendi que é o ser humano que fabrica roupas, dorme em casas, come comidas e observa a natureza.

Nem sempre atribuir valores a natureza é uma boa ideia para os negócios, para o público e para os animais. Já ouviu falar de Palau? Um pequeno país localizado numa ilha no Oceano Pacífico. O país é altamente dependente do turismo. Para você ter uma ideia, a receita de mergulhos para ver tubarões nadarem representa cerca de 8% do PIB. Lá, ver tubarão dá dinheiro e cria custos para os turistas. Mas, alguns tubarões estão sendo caçados para serem usados em partes, tal como, em especial, as barbatanas em sopas.

Em 2011, o Instituto de Ciência da Marinha da Austrália computou que se um tubarão sobrevivesse ao gancho de caçadores, ele passaria a valer pelo menos 10 vezes mais que um tubarão morto. Do ponto de vista financeiro, isso quer dizer que se um tubarão sai vivo da história dos pescadores, ele é reputado como se fosse ouro para os contadores. Este tipo de ouro é chamado de capital natural, o qual para a indústria do turismo vale cerca de US$ 2 milhões, caso os tubarões estejam vivos.

Mark Zimring, co-diretor do Programa Tuna Indo-Pacífico, disse que se os caçadores saírem da rota do tubarão, reduzindo o volume de capturas de animais aquáticos e mortes de tubarões, vai ter aumento de resiliência dos ecossistemas. Nas entrelinhas, os contadores vão entrar na rota do tubarão para calcular os custos, pois o mundo concentra atividades que envolve dólares e centavos. Além disso, o capital natural virou ferramenta para destacar valores de recursos naturais limitados, a fim de permitir uma compreensão das empresas na relação entre as linhas de fundo e o ambiente saudável. Haja água de mar para tudo isso.

Realizar a conversão do capital natural e serviços relacionados em itens com padrões de custos para cada negócio parece complicado, difícil e controverso. Embora existam mais ou menos 20 ferramentas de avaliação, as empresas não adotaram a contabilidade de capital natural porque ninguém as obrigou a fazerem isto. A entidade The Earth Genome, sem fins lucrativos, pensa em fazer isto com a segunda maior empresa química do mundo, a Down, para mostrar que sabe massacrar dados. Vide e revide a estatística.

Eles estão preocupados se o massacre dos dados vai favorecer o uso da informação para as melhores decisões que leve a conservação dos recursos e amplie os resultados corporativos.

Não tem jeito, vai ser custoso contadores fugirem dos tubarões. Em 2016, uma empresa de pesquisa e consultoria chamada GreenBiz and Trucost ajudou as empresas na medição de impactos naturais. Foi constatado que o volume de empresas de iniciativas de capital natural aumentou 71% entre 2014 e 2015.

Os investidores visualizaram os aspectos positivos da contabilidade de capital natural e seus custos, tanto que algumas reportaram um retorno maior sobre o patrimônio líquido do que aqueles que não reportaram, conforme estudo do CDP (Carbon Diclosure Project) em 2014. Aumentar custos ou considerar outros custos para as linhas dos demonstrativos de resultado pode significar maiores resultados positivos, desde que a receita aumente e os tubarões mantenham-se na linha de rota.

A The Earth Genome, em suas análises, considera que sua tecnologia conta o preço da água paga pelas empresas, os custos e a utilidade da água para a sociedade, além dos animais e toda a diversidade, criando mapas facilitadores para as empresas atuarem e esquivarem de mordidas de tubarões. Isto permite a execução de projetos sustentáveis como a criação de usina hidrelétrica, sem matarem bichos de mares. Já a empresa Dow, anda testando esta tecnologia, nadando em ondas, permitindo compreender valores de ativos de água que a empresa pode gerar.

Boa parte dos especialistas entendem o relatório de capital natural como um relatório de baixo impacto. Na visão deles não dá para criar tsunamis na contabilidade. Mas, pequenas ondas estão surgindo de atitudes voluntárias ou de projetos em algumas grandes empresas e muitos estão percebendo que até o custo se move de baixo de água. Os contadores estão de olho nisso, vendo os tubarões nadarem com custos. Conquanto, a natureza tem seu próprio valor.

por Eric Ferreira

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© Eric Ferreira  - eric_ferreira_net@hotmail.com

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